Esta reflexão dirige-se especialmente às famílias com filhos em idade escolar.
Nesta altura do ano letivo, há uma pergunta que todos os alunos deviam fazer a si próprios: estou a aprender e a progredir como sou capaz? E, se a resposta for não, o que preciso de fazer de diferente para melhorar?
Estamos numa fase particularmente importante do primeiro período. Em muitas escolas, realizam-se reuniões intercalares, professores e diretores de turma analisam o percurso dos alunos e as famílias têm oportunidade de conversar sobre o que está a correr bem e sobre o que precisa de mudar. É um momento de balanço, mas, sobretudo, uma oportunidade para olhar em frente.
É aqui que a avaliação formativa revela todo o seu valor. Avaliar não pode significar apenas atribuir uma classificação no final de um percurso. Um verdadeiro sistema de avaliação tem de ajudar cada aluno a compreender onde está, onde se pretende que chegue e o que precisa de fazer para lá chegar. E isso não se consegue apenas com números.
Nos nossos Colégios, fazemos questão de que o feedback faça parte do quotidiano da sala de aula. Não apenas quando se entrega um teste ou se corrige um trabalho, mas ao longo de todo o processo de aprendizagem. Um feedback de qualidade, regular, claro e construtivo é uma das bases de uma avaliação verdadeiramente formativa. Permite ao aluno reconhecer aquilo que já domina, compreender onde está a errar e, sobretudo, perceber como pode melhorar. Dizer a um aluno que uma resposta está errada é muito diferente de o ajudar a compreender o erro e a encontrar o caminho para o corrigir. É também assim que se desenvolve a autonomia e a capacidade de aprender com os próprios erros.
Um aluno pode ter uma boa classificação e, ainda assim, precisar de melhorar os seus hábitos de estudo, a sua participação ou a profundidade com que compreende aquilo que aprende. Outro pode ter resultados abaixo do esperado, mas estar a fazer progressos importantes que merecem ser reconhecidos e reforçados. A avaliação formativa permite olhar para estas diferentes realidades, identificar dificuldades a tempo e encontrar caminhos para as ultrapassar.
Mas há algo que considero essencial: a avaliação só cumpre verdadeiramente a sua função quando provoca uma resposta. Não basta receber feedback. É preciso escutá-lo, compreendê-lo e utilizá-lo. Por vezes, será necessário estudar com mais regularidade, prestar mais atenção nas aulas ou pedir ajuda no momento certo. Noutras situações, bastará manter o rumo, consolidando os bons hábitos que já estão a dar frutos.
É também esta a mensagem que gostaria de deixar às famílias. Esta é uma altura privilegiada para acompanhar de perto o percurso de cada filho, reconhecer os progressos alcançados e perceber o que pode ser melhorado. Mais importante do que perguntar «Que notas vais ter?» será perguntar «O que sentes que já estás a fazer melhor?», «Onde tens mais dificuldades?» ou «O que podemos fazer para te ajudar?». São estas conversas, em casa e na escola, que permitem transformar a avaliação numa verdadeira oportunidade de crescimento.
Aos alunos, deixo um desafio: não esperem pelo final do período ou do semestre para perceber se estão no caminho certo. Escutem os vossos professores, procurem compreender o feedback que recebem e, sobretudo, utilizem-no para melhorar. Reconheçam aquilo que precisam de mudar, mas valorizem também os progressos que já fizeram. Para uns, será tempo de corrigir o rumo; para outros, de consolidar o caminho que estão a seguir. O importante é que nenhum deixe passar esta oportunidade de continuar a crescer.
O mais importante numa avaliação não é apenas aquilo que ela nos diz sobre o que já fizemos, mas aquilo que decidimos fazer depois de a receber. Avaliar deve servir, acima de tudo, para aprender melhor.
Porque acreditamos que educar é preparar para a vida. Contem connosco.
Fernando Fidalgo · Diretor Pedagógico Nacional